quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

10. A Minha Mãe



Mãe coragem, mãe guerreira, mãe selvagem. Mãe amor, mãe força, mãe jardim em flor. Mãe coração, mãe protectora, mãe liberdade... A todas elas nos conduz o olhar da criança que nesta história fala da sua mãe, um ser misterioso e único, capaz de absorver toda a sua admiração.

A minha mãe tem o coração entre o sol e a noite. 

A Minha Mãe,  recentemente editado pela Orfeu Negro, com texto de Stéphane Servant e ilustrações da suíça Emmanuelle Houdart, é uma homenagem bela e sublime a todas as mães.


Uma descrição singular, poética e intensa, que percorre igualmente as emoções e os sentimentos  que atravessam a relação única entre mãe e filha. 


A mãe que vamos conhecendo é, a um tempo, forte e frágil, aventureira e protectora, mãe e mulher.

Eu espero e não consigo evitar estremecer ao pensar que ela talvez não volte.

Um texto poético e pleno de metáforas a que se juntam as não menos metafóricas e deslumbrantes ilustrações de Houdart, que nos enche de alegria ver por cá. 



A minha mãe tem no coração uma loba escondida. Que às vezes, no verão, a faz cantar e dançar em negras florestas.

Um livro que se traduz numa abordagem única desse amor infinito que conhece sempre o caminho de volta. Que fala, a uma só voz, de amor e de inquietude. Um hino ao amor materno. Vivam as mães!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

É Natal, é Natal! Há tesouros a chegar!

8. João e Mais Oito, Um Livro Para Contar


Há livros que nos acompanham há tanto tempo... Quase nos esquecemos que nunca os lemos em português! Depois, há um dia em que chegam e somos inundados por uma onda de felicidade. E sim, festejamos! Muito! 


Os dois livros de Maurice Sendak, agora publicados pela Kalandraka, acompanharam certamente o crescimento de muitas gerações desde os anos 60, altura da sua primeira publicação. O que faz deles pequenos tesouros é o facto de continuarem, hoje, a encantar as crianças que têm o privilégio de os abrir.


Aprender a contar ou a soletrar as letras do alfabeto na companhia de Sendak, poder rir a cada página com o humor inteligente das suas deliciosas ilustrações, é algo a que todas as crianças deviam ter acesso. 


João, rapaz amante de sossego, vê-se subitamente invadido por uma quantidade de criaturas sem medo que lhe transformam a casa num autêntico caos. De 1 a 10, os inusitados visitantes vão surgindo ao ritmo de cada dupla página. De forma rimada, o rato, o gato, o cão, a tartaruga, o macaco... esgotam a paciência do pequeno, até então absorto na leitura de um livro. 


Mas João não vai em conversas e não se deixa intimidar por toda aquela prole que jamais seria capaz de convidar. 
Sabem o que tenho em mente? Vou contar de trás para a frente...
Desta feita, por ordem decrescente, sem se fazerem rogados, voltam a sair todos os que não tinham sido convidados. De porta fechada, a leitura é, finalmente, retomada. Bravo, João!

9. Vida de Crocodilo, Um Alfabeto


Foram muitas as vezes que brincámos ao alfabeto de Sendak. Chegámos mesmo a fazê-lo aqui.  À boleia desta simpática e divertida família de crocodilos, as crianças fazem uma visita guiada pelas letras do alfabeto.


Com frases curtas, a irreverência de mestre Sendak passeia-se, pincelada de subtilezas, ao longo das ilustrações. Esta pode não ser uma família muito tradicional, mas é, seguramente, uma daquelas que os miúdos adoram imitar. Todos juntos, Fazem a festa e Gozam à grande.


Estes são os dois primeiros livros de uma série que viria a ser distinguida pela Associação
de Bibliotecas Americanas e adaptada pelo própio autor para o musical Really Rosie de 1975. 


Verdadeiramente vaidosos, já estamos à espera dos próximos que nem uns gulosos!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Hipopómatos em Festa!



A Casa dos Hipopómatos comemora, este fim de semana, o 2º aniversário! Sábado e domingo, das 11 às 19h, vamos ter  histórias, workshops, actividades várias & livros a preços hipopomatizados. Consultem a agenda e venham! Estamos à vossa espera.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

7. O Mundo é Redondo.

Uma rosa é uma rosa é uma rosa

Corria o ano de 1938, quando a escritora Margaret Wise Brown, autora de vários êxitos infantis como o conhecido Goodnight Moon, decidiu convidar alguns vultos da literatura para escreverem livros para crianças. Ernest Hemingway, John Steinbeck e Gertrude Stein foram os contemplados. Enquanto os dois primeiros recusavam, Stein surpreendia não só por aceitar, mas sobretudo por afirmar já ter o livro escrito. Chamava-se O Mundo é Redondo.



O que talvez ninguém esperasse é que Stein impusesse algumas condições. As páginas deveriam ser cor-de-rosa e o texto impresso a azul. Mas essas não eram as únicas surpresas reservadas. Uma vez publicado, o livro, misto de prosa e poesia, revela um texto corrido onde a pontuação se faz apenas com o uso de vírgulas, poucas, e pontos finais. 




“Não se importem com as vírgulas que não estão lá, leiam as palavras. Não se importem com o sentido que lá está, leiam as palavras mais depressa. Se tiverem alguma dificuldade, leiam mais e mais depressa até não terem”. Era o conselho da autora.


Quase oitenta anos depois, o livro chega a Portugal, pela mão da editora Ponto de Fuga. Nele podemos ler a emblemática divisa de Stein, a rosa é uma rosa é uma rosa. Aqui, a Rosa parece ter mesmo sido de carne e osso. Uma pequena de nove anos, vizinha da escritora, terá sido a fonte de inspiração. Ela, Pépé e Love, os dois cães que eram e não eram dela.




Rachel Caiano foi a ilustradora escolhida. A delicadeza e a beleza do traço das pequenas ilustrações, em perfeita sintonia com o texto, emprestam ao livro uma fina singularidade.  Em 1939, Clement Hurd foi o ilustrador de serviço. Nos anos noventa, Roberta Arenson ilustrou uma deliciosa edição em formato de bolso. Se Gertrude Stein fosse viva, ficaria certamente muito feliz de ver a rosa é uma rosa é uma rosa que agora nos chega às mãos. Um luxo!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

6. A Horta do Simão


A Horta do Simão, da argentina Rocío Alejandro, publicada pela editora Kalandraka, foi a obra vencedora do X Prémio Internacional Compostela para Ábuns Ilustrados. 



Este é o Simão. Todos os anos, quando chega a primavera, lança mãos à terra  e semeia as suas cenouras. Claro que antes há muito para fazer. Colocar a cerca de protecção, preparar a terra, lançar as sementes, regar... Pouco a pouco, as cenouras vão crescendo até estarem em condições de serem colhidas.


A colheita deste ano é grande. E os vizinhos do Simão vão aparecendo para ajudar. O rato, a galinha, a cabra... engrossam um grupo solidário.


Claro que as cenouras do Simão são não são o vegetal preferido de todos e as sugestões não tardam a chegar. Alfaces, tomates, beringelas, morangos e um grupo de esforçados agricultores acabam por dar à horta uma outra dimensão.


As ilustrações, com recurso à técnica da estampagem com carimbos e uma paleta de cores em tons ocres e laranjas, revelam um magnífico e minucioso trabalho. 



Rocío Alejandro inspirou-se na horta comunitária do seu bairro para fazer o seu primeiro livro como autora e ilustradora. E nós, leitores, ficamos a ganhar. Esta é uma história ecológica, que se traduz numa magnífica homenagem ao trabalho em equipe, às boas regras de convivência, ao contacto com a natureza. Vivam as hortas comunitárias! 
Uma história que merece a atenção de professores e educadores para poder ser semeada pelas nossas crianças.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

5. Perdi-me No Museu Porque...


David Cali e Benjamin Chaud estão de volta, trazendo com eles o pequeno e imaginativo Henrique. Neste terceiro livro, editado pela Orfeu Negro, o rapaz que já conhecemos por não fazer os trabalhos de casa e chegar atrasado à  escola, sempre com fortes motivos, diga-se, vive  uma nova aventura. Uma visita de estudo a um museu.

Assim que cheguei, fui atacado por um triceratops.

Quem também já conhece o Henrique é a sua professora, que não resiste a questioná-lo,  com cara de poucos amigos, sobre a visita realizada. Ora, o rapaz não se faz rogado e dá inicio ao relato das muitas e fantásticas peripécias experienciadas. É aqui que os leitores apanham boleia.


Uma vez lá dentro, tudo é possível!  Encontros com manadas de búfalos ou famílias Neanderthal, passagens secretas, esculturas animadas que capturam visitantes, explosões... Henrique vê-se mesmo obrigado a executar algumas tarefas que não estariam previstas: arrumar, limpar e até... pintar. Sim, o miúdo reparou naqueles quadros que não estavam terminados e achou que era o mínimo que podia fazer! 

E dediquei-me com toda a minha arte.


Enquanto o leitor reconhece algumas alusões à Mona Lisa ou ao Princepezinho , as aventuras sucedem-se a um ritmo tão alucinante quanto hilariante. Nada que desvie o nosso pequeno artista do seu objectivo, encontrar a turma! Ah, é que nos tínhamos esquecido de contar que o Henrique chegou atrasado... ao museu.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

4. Boa noite!


Hoje, dizemos Boa noite! na companhia de Pierre Prat, responsável pelas muitas e sonoras gargalhadas que temos ouvido aos mais pequenos, sempre que lhes mostramos esta divertida e hilariante história. 


A vida do Sr. Silva não é coisa que se inveje. O pobre homem chega a casa sempre ao final do dia, cansado do trabalho e, como se isso não bastasse, tem de subir 96 andares! Não, não há elevador!


É, pois, inteiramente compreensível que assim que põe os pés em casa, dê inicio ao ritual de ir para a cama. A questão é que, no caso do Sr. Silva esse ritual reveste-se de alguma complexidade. 

Na verdade, o Sr. Silva nunca se deita sem dizer boa noite ao chapéu, ao casaco, à gravata, ao cinto... e a muitas, muitas outras coisas. Mais exemplos? O livro, os óculos, os dentes postiços... Não, não contamos mais! 


Dizemos apenas que tudo o que se segue é tão surpreendente quanto hilariante. Surreal? Também, mas garantimos que é imperdível. Façam o favor de gargalhar!