terça-feira, 21 de março de 2017

Muita Poesia e Alguma Primavera


Em Dia de Poesia, que por aqui é coisa de todos os dias, relembramos Manuel António Pina.

Os livros

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de 
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?

Manuel António Pina, Como se desenha uma casa, Assírio & Alvi


Na Casa dos Hipopómatos, decretámos Março como mês da Poesia. Pedimos a miúdos e graúdos que ilustrassem um ou mais poemas e nos enviassem. Continuamos a nossa maratona e voltamos a pedir. Pode ser por carta, por mensagem, por email... Queremos fazer uma enorme colheita das sementes de poesia que lançámos. Mas não só... o resto é surpresa. Participem, temos alguns livros de poesia para oferecer!


sábado, 18 de março de 2017

Bom Fim de Semana, PAIS!


Compota de Manzana, de Klaas Verplancke, é o livro escolhido na Casa dos Hipopómatos para dizer Feliz Dia do Pai!


Uma história maravilhosa e divertida, onde todos os pais se revêem. 
Um papá, ao mesmo tempo, forte e meigo,  e que no banho canta como uma mamã. Um papá divertido e companheiro, mas que quando se cala deixa antever a chegada de uma tempestade...


Claro que isso não dura muito e... é então que os seus dedos sabem a compota de maçã. Oxalá tivesse mil mãos!


Bom Fim de Semana, Pais!

terça-feira, 7 de março de 2017

The Museum of Me. Leituras de Fora


The Museum of Me, de Emma Lewis, vencedor do Prémio Bologna Ragazzi Opera Prima 2017, é o livro da semana na Casa dos Hipopómatos.


Emma Lewis oferece-nos uma criativa e inovadora viagem pelos museus. O conceito de museu e a sua diversidade coabitam aqui numa estreita relação com a pessoa do visitante. Nas palavras do júri de Bolonha, o livro explora o conceito de um museu fazendo referência ao «eu».



E continua: 
As criativas ilustrações em técnica mista oferecem uma gama de imagens intrigantes e provocadoras para exploração do leitor. Para além de uma perspectiva geral, o livro apresenta também pormenores curiosos. As bem urdidas ilustrações surgem como o produto da imaginação independente do artista, não na forma de imagens que visam atender a uma particular exigência do mercado. 


O livro explora a ideia tradicional de um museu, mas faz também referência ao «eu» como a fonte de coisas interessantes, encorajando os leitores a olhar e a pensar no que as coisa que têm à sua volta dizem de si mesmas.
(Tradução dos Hipopómatos)


Vai uma visita?  Ao The Museum of Me e à Casa dos Hipopómatos!

segunda-feira, 6 de março de 2017

O Rosto da Avó


Em dia de aniversário da avó, a família reúne-se. Todos sabem o quanto ela fica feliz  quando os vê juntos. Ainda assim, há momentos em que a avó consegue, ao mesmo tempo, parecer um pouco triste, surpreendida e até preocupada.


A curiosidade da pequena neta perante o mistério é grande. Mas a avó explica-lhe que isso se deve às linhas  que lhe marcam o rosto. É lá que guarda todas as memórias. Os porquês próprios da infância persistem. Como será possível que linhas tão pequenas consigam ter espaço para tantas memórias...


O livro dá inicio a uma viagem por um outro livro, o rosto da avó. As linhas assemelham-se a um fio condutor que serve para cozer umas às outras as histórias da sua vida. 
As páginas vão-se alternando. A cada pergunta da neta sobre uma linha diferente, segue-se o acontecimento vivenciado pela avó num tempo mais longínquo.


O tempo das primeiras descobertas, das amizades que se celebram num piquenique à beira-mar, do primeiro encontro com o amor, das primeiras despedidas... De forma terna e comovente, à pequena vai sendo transmitido o conhecimento das várias etapas de que se fez a vida da avó. Conhecimento de que o leitor se torna cúmplice ao ouvir as histórias que as linhas desenhadas no rosto albergam.


As deliciosas ilustrações, com uma paleta de cores que parece escolhida para acompanhar a  ternura do texto passo a passo, estabelecem uma estreita relação com as histórias que vão sendo narradas na primeira pessoa. O resultado culmina numa simbiose perfeita: o relato de uma vida. 


Este é o terceiro livro de Simona Ciraolo, editado entre nós pela Orfeu Negro. A família, os laços, as emoções são temáticas comuns e que já nos tinham tocado em Quero Um Abraço, de que falámos aqui e em O Que Aconteceu À Minha Irmã, que podem ver aqui. Ficamos, claro, à espera do próximo! 
Ah, e por favor,  não passem indiferentes pelo jardim de catos da avó!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Porcos, Galinhas e Outros que Tais. É o Regresso dos Contos Tradicionais



Casa de palha, casa de madeira, casa de pedra e tijolo... Cada casa a seu porco! Um preguiçoso, outro um pouco mais trabalhador e um terceiro, muito trabalhador. Todos conhecemos o enredo. Para além dos laços de sangue, os três irmãos têm em comum o mesmo inimigo, o lobo.


Oriundos dos contos populares, estes protagonistas há muito que nos povoam as histórias, continuando a fazer as delícias dos mais pequenos. 


A estrutura repetitiva, a recompensa do trabalho e do esforço do mais aplicado dos três irmãos, a derrota infligida ao lobo, a capacidade de ludibriar o matreiro inimigo são algumas das características deste conto popular que contribuem para cativar os seus destinatários. Estes rapidamente absorvem a história e repetem-na vezes sem conta.


A versão agora editada pela Kalandraka é uma adaptação de Xosé Balesteros (de quem lembramos outras como O Coelhinho Branco e Os Sete Cabritinhos), com ilustrações do também já nosso conhecido Marco Somà (A Rainha das Rãs Não Pode Molhar Os Pés e A Galinha Ruiva).
Com uma paleta de cores quentes e fortes, o ilustrador preenche o imaginário dos leitores com a sua prole de animais humanizados de grande expressividade e o recurso a um infinito e incrível número de elementos com que enriquece os espaços domésticos e os ambientes campestres onde, por regra,  estas narrativas se desenrolam.


O que nos lembra, de imediato, o livro agora novamente editado pela Kalandraka, A Galinha Ruiva. Sobre ele, escrevemos aqui, há três anos.


Sim, continuamos a gostar muito desta Galinha d'armas! Até porque o que não falta por cá é gente à espera de comer o produto do trabalho dos outros...